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A CEO da Casa de Investimentos assume-se como a guardiã das fortunas dos clientes. É seguidora da filosofia de investimento de Warren Buffett, o que lhe permite garantir boas rentabilidades mesmo em tempos recessivos.

“Queremos clientes para o longo prazo e atuamos como verdadeiros guardiões do seu património. O nosso lema é trabalhar para que os nossos clientes sejam clientes antigos”. É desta forma que a gestora de fortunas bracarense explica a visão da Casa de Investimentos (CI), que fundou em 2010 com o objetivo de a tornar numa referência no mercado. No meio de um ambiente altamente recessivo, Emília Vieira lançou a empresa para atrair primeiro os investidores minhotos mas tendo já na mira o mercado nacional. Estudou tudo sobre a filosofia de Warren Buffett, o homem mais rico do mundo. Nos próximos 30 anos gostava de ganhar em média 15% ao ano.

Qual é a filosofia da Casa de Investimentos (CI)?

Seguimos a filosofia de Investimento em Valor, ou seja, só se investe num ativo quando este está a desconto substancial do seu valor. Analisamos profundamente os ativos, com disciplina férrea e paciência, para esperar que os resultados se materializem. Com tempo, o preço a que cotam as empresas tende a aproximar-se do seu valor justo. Nessa altura, vendemos. Só assim se conseguem rentabilidades consistentes e acima da média. Investimos com menos risco, porque compramos barato e com melhores retornos a prazo. Os custos inerentes a esta filosofia de investimentos são também menores porque implicam muito poucas transações.

A partir de que valores se pode ser cliente da CI?

A partir de 50 mil euros mas brevemente teremos um Fundo de Investimento em Valor que permitirá montantes mais baixos, para que as poupanças mais pequenas também tenham acesso e para motivar um público mais vasto para investimentos conscientes.

NÃO GOSTAMOS DE INVESTIR EM ATIVOS ESPECULATIVOS COMO MATÉRIAS PRIMAS OU OURO, QUE NÃO PRODUZEM RENDIMENTO.

Em que tipo de produtos investem mais?

Em ativos que produzem rendimentos e que entendemos bem. As ações são a classe de ativos da nossa preferência. Uma ação deve ser vista como uma “fatia” de uma empresa que dá ao seu detentor o direito aos lucros que a empresa gera: uma parte é distribuída sob a forma de dividendos e os restantes são reinvestidos nas atividades da empresa para a tornar mais forte e competitiva. Assim podemos esperar que cada ação venha a valer mais e que a sua cotação de mercado reflita esse valor.

Com as taxas de juro em mínimos históricos as obrigações são ativos muito arriscados. Não gostamos de investir em ativos especulativos como matérias primas, ouro etc, que não produzem rendimento. E consideramos que os fundos de investimento e produtos estruturados são, regra geral, mais atrativos para quem os comercializa do que para os investidores.

Como tranquilizam os clientes face à instabilidade dos últimos anos?

Quando a volatilidade é elevada ou um investimento em particular causa desconforto esclarecemos em reuniões as razões e os méritos desses investimentos. Explicamos aos nossos clientes que se comprarmos ativos bons por menos do que realmente valem serão devidamente recompensados.

NO INVESTIMENTO, QUANDO FAZEMOS O QUE FAZ A MAIORIA, NÃO COSTUMA RESULTAR BEM.

No início de agosto de 2011, com o downgrade da dívida norte-americana pela Standard & Poors, receámos que o susto fizesse vender as ações que tínhamos em carteira. Os mercados mundiais recuaram cerca de 20% em 2 semanas. Durante a semana seguinte aplicámos todos os valores que tínhamos disponíveis nas contas: desde Wells Fargo, Pfizer, General Electric, Walmart e outras empresas que acompanhávamos e que àqueles preços eram investimentos com pouco risco. Conseguimos ignorar o que outros investidores estavam a fazer, que era vender. No investimento, quando fazemos o que faz a maioria, não costuma resultar bem. Como dizia Keynes, “quando todos concordam com os méritos de determinado investimento, já ele está caro”. Os Clientes confiaram na nossa capacidade de julgamento e o resultado foi muito bom.

Que rentabilidades podem ser esperadas na CI?

Nos últimos 116 anos, os investimentos em ações foram a classe de ativos que melhor remunerou os investidores. Nos vários estudos apresentados por Elroy Dimson, as ações produziram cerca de 9,6% desde 1898 a 2001. Julgo que é essa a razão para que o livro tenha o nome “O Triunfo dos Optimistas – 101 anos de Retornos Globais”. Os otimistas são os que acreditam que são as empresas que criam riqueza no mundo, que produzem produtos e serviços que o mundo inteiro precisa e irá continuar a consumir. Warren Buffett, na carta aos acionistas deste ano e na Assembleia Anual de Acionistas, onde estive presente, dizia que foi assim nos últimos 100 anos e tudo leva a crer que será assim nos próximos 100. Gostaríamos de ganhar em média 15% ao ano para os próximos 30 anos. Trabalhamos para que os nossos clientes fiquem connosco para sempre e queremos trabalhar para os seus filhos e netos.

AS ESTRATÉGIAS DE INVESTIMENTO DEVEM SEGUIR O PRINCÍPIO DOS ENGENHEIROS NA CONSTRUÇÃO DAS PONTES. PROJECTAM-NAS COM CAPACIDADE EXTRA PARA PREVENIR POSSÍVEIS FALHAS.

Nos últimos anos qual tem sido a rentabilidade dada pela CI? Tem rentabilidades que rivalizam com Warren Buffet?

A nossa rentabilidade anualizada é de 16,95% até 31de março passado. Desde a abertura, a 15 de novembro de 2010, estamos com uma rentabilidade acumulada de 98,51%. Warren Buffett e Charlie Munger têm rentabilidades de cerca de 20% ao ano. Mas eles são os melhores e têm quase seis décadas de prática. Por isso, os seguimos e foi a partir dos seus ensinamentos que quisemos fundar a CI. Acreditamos que ao longo do tempo nos tornaremos melhores investidores, vamos continuar a remover ignorância e a prepararmo-nos para os desafios futuros.

Defende muito o conceito de “Margem de Segurança”. É o que diferencia a CI?

Seguimos o princípio dos engenheiros na construção das pontes, projectam-nas com capacidade extra para prevenir possíveis falhas. As estratégias de investimento devem seguir o mesmo princípio. Margem de Segurança são as palavras mais importantes do investimento. A margem de segurança está sempre dependente do preço que pagamos quando fazemos o investimento. Por isso, investimos com risco limitado para ter maior segurança financeira dos nossos Clientes. Não só o risco é menor, mas o retorno será muito superior.