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Emília Vieira, CEO da Casa de Investimentos, diz como começar e faz algumas recomendações de ativos.

Criar riqueza a partir da poupança não tem receitas mágicas que resultem de um dia para o outro. “Tal como disse Charlie Munger, sócio de Warren Buffett, investir deve ser tão entusiasmante com ver tinta a secar ou relva a crescer”, diz Emília Vieira, CEO da Casa de Investimentos. “Um plano de investimento sensato deve ter um horizonte de décadas e ser traçado com disciplina. Estratégias de curto prazo não produzem resultados consistentes para o futuro”, aponta.

Se ainda não tem esse plano, quanto mais cedo começar melhor. Primeiro, “é importante acumular um montante (para um ou dois anos de despesas) que permita fazer face a um contratempo, perda de emprego, redução de salário ou despesa extraordinária”, guardando essa “almofada” num depósito bancário. Mantenha a regra mesmo que receba uma quantia grande (herança, indemnização), pois deve “tentar preservar as poupanças”. Se tiver dívidas, pague-as “sempre que a taxa de juro inerente seja superior à rentabilidade esperada do investimento alternativo”, recomenda Emília Vieira.

Supondo que, a partir do momento em que já tem a tal “almofada”, consegue poupar cem euros por mês, se não tiver tempo ou conhecimento para avaliar ações, pode investir “num exchange traded fund que represente um índice de ações bem diversificado, como o S&P500”. Com mais tempo, pode pensar num fundo de investimento com “custos sensatos e a filosofia de investimento adequada à criação de riqueza”.

Numa altura em que os produtos típicos de investimento apresentam taxas tão baixas que, com a inflação, acabam por ser negativas, há que redobrar cautelas. 

“Pior do que ter dinheiro parado é fazer uma asneira com ele, comprando caro, investindo no que não se conhece, em produtos complexos sem rendimento e com tempos de imobilização longos”, alerta Emília Vieira.

Apesar da febre em torno da valorização meteórica da bitcoin, a gestora não aconselha: “Não somos favoráveis ao investimento em qualquer tipo de moeda, física ou virtual. Preferimos ativos reais (ações de boas empresas mundiais) que preservem o poder de compra dos investidores e não sejam manipulados por agências governamentais ou sistemas informáticos com poder de desvalorização da moeda.” Nos últimos cem anos, exemplifica, o dólar desvalorizou 95% e, nos últimos 15 anos, o euro desvalorizou cerca de 30%.

E o imobiliário, será um bom investimento? “Para muitos, o investimento num imóvel é seguro porque têm um bem físico. Contudo, estes investimentos são muito ilíquidos e não os conseguimos mudar de sítio. Há grandes riscos nestes investimentos, muitas vezes ignorados. A história documenta a perda de enormes fortunas no imobiliário, grandes bolhas que rebentaram e um prémio de risco muito pouco compensador”, aponta.

A especialista defende que “a longo prazo, as ações serão o ativo que melhor rentabilidade produzirá. Foi assim nos últimos mais de cem anos e tudo leva a crer que assim seja para o futuro”. Por isso, recomenda:  

“investir em ativos comprados a desconto do que realmente valem, manter os custos de transação e gestão baixos e ter paciência para esperar que o mercado lhes reconheça o verdadeiro valor”.

E garante que “o reinvestimento dos dividendos terá um efeito extraordinário de acumulação de riqueza”.