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Elas são donas de uma em cada três empresas

Na véspera do Dia Internacional da Mulher, um estudo internacional sobre empreendedorismo traz boas notícias: Portugal é o 6º melhor país do Mundo para o empreendedorismo feminino, à frente de países como Espanha, Austrália ou Reino Unido. A percentagem de mulheres que detêm um negócio - um em cada três, em Portugal -, as condições de apoio ao empreendedorismo e a disponibilidade de conhecimento e recursos financeiros foram as áreas avaliadas pela Mastercard, em 57 países de cinco continentes, representantes de 78,6% da força de trabalho feminina em todo o Mundo.

A Nova Zelândia manteve o lugar cimeiro neste ranking, com 74,2 pontos; em 2º lugar, está a Suécia com 71,3 pontos; em 3º, o Canadá, com 70,9 pontos; em 4º, os Estados Unidos, com 70,8 pontos; e Singapura em 5º, com 69,2 pontos, a escassa distância dos 69,1 pontos de Portugal. Este índice revela que as mulheres empreendedoras têm tido mais sucesso em economias mais ricas e desenvolvidas, tal como na Nova Zelândia, na Suécia ou em Portugal, onde as pontuações relativas ao progresso, conhecimento e acesso financeiro das mulheres são mais elevadas. Mas também sublinha as exceções de economias com rendimento médio-baixo, como as Filipinas ou o Vietname, que surpreendem com pontuações acima do esperado. Enquanto, no Gana, a necessidade dita um número excecionalmente elevado de mulheres empreendedoras, apesar de menos acesso a conhecimento ou recursos financeiros, noutros países extremamente ricos e com 100% de mulheres com cursos superiores, como os Emirados Árabes, são raras as mulheres empreendedoras.

As barreiras ao progresso dos negócios das mulheres acabam por ser, todavia, semelhantes em todo o Mundo: a descriminação de género, que inclui a falta de aceitação social, e a falta de recursos de negócios (financeiros, capital, formação e desenvolvimento) são os fatores que mais frequentemente levam à descontinuidade do negócio das mulheres.

"A desigualdade de género continua a ser o principal obstáculo ao empreendedorismo das mulheres. Esperamos que estas conclusões possam constituir um alerta atempado para que os governos e organizações reforcem o apoio ao desenvolvimento de uma maior inclusão financeira e acesso à educação para mulheres empresárias e trabalhadoras", rematou Ann Cairns, presidente de Mercados Internacionais da Mastercard.

Finanças: Num mundo de fato e gravata, CEO da Casa de Investimentos usa saia

Chefiar homens ou mulheres é indiferente para Emília Vieira, cofundadora e CEO da Casa de Investimentos, a única gestora de patrimónios portuguesa localizada em Braga. A especialista em Finanças gere cerca de uma centena de milhão de euros, num mundo ainda dominado pelos fatos e gravatas masculinos. "As mulheres têm uma capacidade especial para gerir dinheiro e há muitos estudos que o dizem. Warren Buffet costuma dizer que investe como uma mulher (com cautela), começa por dizer a gestora, que não abdica de ser mulher e mãe de dois filhos que apoia de perto.

"Mas, mais do que o género, deve ser a capacidade de trabalho, a honestidade, o empenho e o talento com que conseguimos fazer o nosso trabalho que deve pesar", completa. Enquanto responsável pela gestão de recursos humanos da empresa, nota que os preconceitos chegam a ser maiores entre as mulheres:

Há demasiadas mulheres que autoimpõem limitações e também somos nós que temos de vencer barreiras, nos negócios, na política e na cultura.

Emília Vieira

A Casa de Investimentos nasceu em 2010, porque Emília Vieira queria "ter a liberdade de poder fazer a coisa certa" e os dois outros sócios são homens (um deles marido). "Temos uma equipa extraordinária de homens", assegura. "Decidimos que seria eu a CEO por causa da minha carreira internacional, que projeta mais facilmente a empresa, mas trabalhamos em equipa, remata.