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Primeiro, o medo generalizado é amigo do investidor porque disponibiliza pechinchas. Segundo, o medo pessoal é nosso inimigo.

A carta anual aos acionistas da Berkshire Hathaway, escrita por Warren Buffet, foi publicada no passado sábado, dia 25 de fevereiro.

Eis uma pequena passagem que se ajusta perfeitamente ao atual momento do mercado:

"As façanhas económicas da América resultaram em lucros assombrosos para os accionistas. Durante o Séc. XX, o Dow Jones subiu de 66 para 11.497, um ganho de capital de 17.320,00% a que devemos adicionar dividendos sempre crescentes. A tendência continua: até ao final de 2016, o índice subiu mais 72%, para 19.763.

É quase certo que os negócios americanos – e consequentemente uma carteira de acções – valerão muito mais nos anos vindouros. Inovação, ganhos de produtividade, o espírito empreendedor e abundância de capital encarregar-se-ão disso. Os pessimistas sempre presentes poderão prosperar com a venda dos seus prognósticos sombrios. Mas Deus os ajude se eles levarem à prática as tolices que apregoam.

Muitas empresas, obviamente, ficarão para trás e algumas irão falir. Esta joeira é produto do dinamismo do mercado. Os anos vindouros irão, ocasionalmente, proporcionar quedas substanciais no mercado – e até pânicos – que afectarão praticamente todas as acções. Ninguém consegue dizer quando ocorrerão esses traumas – nem eu, nem o Charlie, nem os economistas nem os media. Meg McConnel, do Fed de Nova Iorque, descreve a realidade dos pânicos: “Passamos muito tempo à procura de risco sistémico; na verdade, contudo, é o risco que tende a encontrar-nos”.

Durante esses períodos assustadores, nunca devemos esquecer duas coisas: Primeiro, o medo generalizado é amigo do investidor porque disponibiliza pechinchas. Segundo, o medo pessoal é nosso inimigo. E também é despropositado. Os investidores que evitam custos altos e desnecessários e simplesmente mantêm em carteira durante largos períodos de tempo uma colecção de grandes negócios americanos conservadoramente financiados irão ter, quase de certeza, bons retornos."