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Autoria
Emília O. Vieira
Emília O. Vieira

Aos nossos Clientes,

"As nossas experiências pessoais com o dinheiro representam talvez 0,00000001% do que aconteceu no mundo, mas representam cerca de 80% de como julgamos que o mundo funciona."
Morgan Housel

Desde o primeiro dia, há 10 anos, que consideramos que a comunicação direta e objetiva com os nossos Clientes é importante porque nos dá a oportunidade de explicar a nossa estratégia de investimento, o que fazemos e os resultados que conseguimos, sem que os nossos Clientes tenham que adivinhar ou especular sobre as nossas decisões de alocação de capital. Fazê-lo é especialmente importante quando as coisas correm mal ou cometemos erros, o que acontecerá de tempos a tempos, uma vez que pode evitar que os nossos Clientes tomem decisões que os prejudicam e que põem em causa uma estratégia bem estruturada de criar valor a longo prazo. Por isso, não são apenas as cartas trimestrais que escrevemos, e o Relatório & Contas anual, mas também as cartas que escrevemos sempre que há eventos que consideramos relevantes e que poderão contribuir para que os Clientes aproveitem oportunidades que o pessimismo produz. É nestas alturas que os bons negócios se conseguem comprar em saldo. Também sabemos que é nestas alturas que os investidores têm medo e preferem estar em dinheiro. É por isso que investir não é fácil. 

Esta é também a oportunidade para explicar algumas das lições que aprendemos: 

A primeira é que a estratégia de investimento em negócios de qualidade excecional funciona. O nosso objetivo é encontrar negócios excecionais a preços razoáveis e fugir dos negócios razoáveis a preços excecionais. Como somos investidores de longo prazo, os primeiros rapidamente ganharão vantagem.  

A segunda é que não precisamos de adivinhar o mercado ou estar certos todos os dias.  

A terceira é que quanto maior for a liquidez disponível em carteira, menor será o retorno dos nossos investimentos.  

O pior investimento de todos

Quando pensamos em classes de ativos arriscadas, tendemos a pensar em ações. O imobiliário e as obrigações são vistos como pouco arriscados. O dinheiro nem aparece nesta lista. No entanto, o dinheiro é a classe de ativos com a pior performance da história. Ao longo de prolongados períodos de tempo, o dinheiro teve sempre piores performances face a todas as classes de ativos. Imagine que deposita 100 mil euros no banco a uma taxa anual de 1% a 10 anos. Poderá pensar que ganhou dinheiro, mas na realidade perdeu poder de compra. Esta é a ilusão de segurança, perigosa, que o dinheiro transmite. Os juros que ganhou não acompanharam o preço de um pão, uma barra de chocolate, cuidados de saúde ou educação.  

A razão pela qual muitos investidores mantêm dinheiro em carteira é para tentar adivinhar o mercado e a melhor altura para entrar. Fazem-no apesar de não existir qualquer estudo, no mundo real, que demonstre que sair do mercado e ficar em dinheiro e depois reentrar no mercado repetidamente funciona. No fim de contas, é preciso acertar quando sair e depois quando entrar e fazê-lo uma e outra vez. Se errar uma única vez, pode ser o fim e a performance de longo prazo ficar irremediavelmente comprometida. Este tipo de estratégia de investimento por feeling garante, a quem o faz, custos mais elevados de transação e maiores penalizações fiscais (se conseguir ganhar dinheiro). 

Finalmente, muitos investidores mantêm dinheiro em carteira para o caso de uma catástrofe financeira, uma situação em que os mercados vão a zero, ou lá perto, e nunca mais recuperam. Na realidade, se vivêssemos num mundo em que a Walmart, a Nike, a McDonald’s, a Microsoft, a Nestlé ou a Google e o resto das maiores empresas do mundo caíssem e nunca mais recuperassem, o mais provável é que a maior parte dos países entrariam em incumprimento nas suas obrigações (dívida). Como poderiam os governos arcar com o serviço da sua dívida se as maiores empresas colapsassem? Quem estaria a trabalhar e a pagar impostos para cobrir o serviço da dívida? Nesta situação, o dinheiro não valeria nada, uma vez que as garantias de depósitos (da FDIC, SII e outras instituições do género) seriam essencialmente inúteis.  

O dinheiro dá conforto às pessoas, uma vez que não se mexe. É fácil de compreender e a cotação não cai. Mas a história tem mais que se lhe diga. Embora o dinheiro traga conforto, perde poder de compra constantemente, pesa nos retornos dos investimentos de longo prazo e, no evento de um verdadeiro colapso económico, não tem valor.

Manter reservas de curto prazo é uma boa ideia. Açambarcar dinheiro como investimento de longo prazo, não.  

Porque é importante que este conhecimento chegue às pessoas?

As pessoas ainda precisam que lhes digam que devem poupar e investir melhor? Precisam. 

A esperança média de vida continua a aumentar, os rendimentos do trabalho têm contraído a nível mundial e as taxas de juro estão perto de zero por tempo indeterminado, tornando estes investimentos ridículos. São estes instrumentos de taxa fixa que constituem a maioria das poupanças dos aforradores portugueses.  

Garantir os meios pelos quais as pessoas possam viver confortavelmente as suas reformas é um dos maiores desafios globais que o mundo desenvolvido enfrenta no Séc. XXI. Embora do conhecimento dos legisladores, demasiadas pessoas mantêm-se alheias ao fosso crescente entre os benefícios financeiros de que os pensionistas de amanhã vão precisar (e que lhes foram prometidos) e os ativos que existem atualmente para fazer face a essas necessidades crescentes. 

Num país gerido sem margem de segurança é ainda mais urgente motivar os aforradores para o investimento a longo prazo em ações de boas empresas mundiais. 

Lançamento do Fundo Casa Global Value PPR 100% ações – classe FOUNDERS

Foi com esta preocupação e vontade de contribuir para ajudar as pessoas a entender melhor e a beneficiar de uma filosofia de investimento em valor a longo prazo que lançámos, no dia 1 de outubro passado, o Fundo Casa Global Value PPR 100% Ações. 

O nosso objetivo é criar uma legião de investidores em valor que se identifique com a ideia de que só seremos verdadeiramente livres para tomar decisões se formos economicamente livres 

A filosofia de investimento e a carteira em que investimos os valores do fundo são iguais às da gestão de carteiras. Utilizando como referencial o período 31-12-2011 a 31-12-2019, e como resultado das diferentes vantagens elencadas, a rentabilidade líquida de todos os encargos e tributações teria sido superior em 2,5 pontos percentuais por ano no caso do fundo PPR quando comparado com a gestão discricionária.

Só as melhores empresas servem

Como identificar estes negócios e que tipo de características deverá um investidor procurar?

Warren Buffett refere, na sua estratégia de investimento, cinco características partilhadas por negócios excecionais:

  • Vantagens competitivas duradouras – isto é, o negócio tem barreiras à entrada que dificultam a sua substituição por concorrentes,
  • A qualidade da gestão – a empresa é gerida por pessoas honestas e capazes, que procuram maximizar os interesses dos acionistas,
  • Balanços sólidos,
  • Retornos sobre os capitais investidos acima da média,
  • Capacidade de alocação de capital, nomeadamente se a empresa tem a capacidade de reinvestir o excesso de capital em projetos de crescimento com rentabilidades acima da média.

As empresas capazes de reunir estes cinco atributos são os melhores negócios, e os que nos permitem a melhor relação de risco-retorno. Nos últimos 10 anos, temos assistido a muitos exemplos de quedas abruptas e indiscriminadas nos mercados acionistas. Para os investidores cuja atuação é ditada pela razão, ao invés da emoção, a volatilidade é uma grande aliada para criar riqueza.

De que não gostar nesta estratégia de investimento?

A resposta é que tudo se resume ao conhecimento e temperamento do investidor. Para muitos, o investimento deve ser excitante e aventureiro. Quem julga que o mercado acionista é um casino, começa com a perspetiva errada. A boa prática de investimento requer humildade, conhecimento, resistência e um horizonte de investimento de longo prazo. 

Hoje parece que já todos sabem como investir. Comprar o que está a dar, seguir a tendência e esperar que se encontre um “tolo maior”, alguém que deseje ainda mais estas ações do que os próprios. O futuro encarregar-se-á de mostrar quem está a investir e quem esteve a especular.  

Ignorar as cotações de mercado a maior parte do tempo é essencial para conseguir bons retornos. Só devemos agir quando nos cotam o preço de compra que nos permite comprar qualidade a desconto ou o preço de venda que nos permite vender consideravelmente acima do valor intrínseco.  

A pandemia e a crise económica resultante

A pandemia Covid-19 marcou o ano de 2020 e lançou a economia global na pior recessão desde a segunda guerra mundial. Esta recessão está a ter uma série de características que justificam a rápida recuperação a que assistimos nos mercados acionistas. 

Em primeiro lugar, a intervenção das autoridades monetárias e fiscais foi rápida e numa escala sem precedentes. Esta atuação das autoridades levou a que esta crise se assemelhe mais a uma crise resultante de uma catástrofe: um impacto elevado causado por uma interrupção abrupta da atividade, seguido de uma reposição rápida dos níveis de atividade. 

Em segundo lugar, as empresas não foram igualmente afetadas nesta crise, que recaiu de forma desproporcional sobre os setores de turismo, transportes, restauração e entretenimento. As restantes empresas mantiveram a sua atividade e muitas já estavam a crescer no final do ano face ao ano anterior. Note-se que as empresas do índice norte-americano S&P500 já estavam a registar no último trimestre um nível de resultados semelhante ao do final de 2019 (ou seja, estão a crescer face aos números pré-pandemia). 

Em terceiro lugar, as intervenções monetárias têm afetado principalmente os preços das obrigações, levando as taxas de juro para níveis incomparavelmente baixos, que não remuneram de todo o risco que um aforrador tem em emprestar as suas poupanças a um governo ou empresa. Tal tem o efeito de criar condições de financiamento altamente favoráveis, aliviar as entidades mais endividadas e reforçar a ideia de que não há alternativa às ações para rentabilizar o capital a médio e longo prazo. Esse efeito tem ajudado a evitar falências e até as obrigações de alto risco negoceiam a taxas que não refletem de todo o momento do ciclo que vivemos. 

 

A carteira de investimentos

A carteira de investimentos que hoje temos tem uma qualidade muito acima da média dos índices e um potencial de valorização muito superior. Estamos investidos em alguns negócios onde as famílias mais ricas do mundo têm posições relevantes e o controlo da gestão. A carteira transaciona a cerca de 15,5x os resultados esperados para 2022, comparando com níveis de cerca de 20x para um índice global para o mesmo período.  

A média do retorno dos capitais próprios das empresas em carteira ronda os 18%, o que compara com cerca de 12% para um índice global. E nos últimos três anos, as vendas das empresas em carteira cresceram a uma taxa próxima de 4% ao ano, mesmo num contexto de pandemia em que a taxa de crescimento foi negativa para a maior parte do universo empresarial. É de esperar que nos próximos três anos, com a saída da atual recessão, estas empresas registem crescimentos superiores. Ora é na conjugação de crescimento com elevadas taxas de retorno de capital (que significam que a empresa não tem de investir muito para sustentar a sua expansão) que assenta o mecanismo de criação de valor que permite que estas empresas continuem a gerar elevados retornos para o acionista. Estes são motivos que nos permitem estar otimistas quanto aos retornos que a carteira produzirá a prazo.  

 

Fique connosco para o longo prazo. Muito obrigada pela sua confiança. Estamos sempre ao seu dispor. 

Com os melhores cumprimentos e elevada estima,  

 

Emília O. Vieira 

Chief Executive Officer 


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