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Pony Ma Huateng, Chairman e CEO da Tencent, em artigo escrito para a revista Economist 2019, realça o poder da tecnologia para ajudar os menos privilegiados

Fazer o bem através da Tecnologia

À medida que a internet móvel e os smartphones penetram cada canto do mundo, as redes sociais e serviços de valor acrescentado estão a mudar muitos aspetos das nossas vidas quotidianas. Na China, esta evolução está a acontecer ainda mais rapidamente e está a ir mais além do que noutras partes do mundo. Esta tendência será ainda mais evidente em 2019, à medida que se propaga por indústrias como o retalho ou fintech.

Tomemos como exemplo Shenzhen, a cidade no sul da China onde a Tencent foi fundada há 20 anos. Lá podemos fazer compras online, encomendar comida em restaurantes ou take aways, pagar contas da luz e água e bilhetes para os transportes públicos, marcar uma consulta médica ou até tratar dos registos para o casamento tudo isto com apenas alguns toques no ecrã do smartphone. Graças à internet e outras tecnologias de ponta, muitos de nós têm uma melhor qualidade de vida do que alguma vez poderíamos ter imaginado.

Isto, obviamente, é bem vindo. No entanto, coloca-se uma questão, seremos capazes de utilizar a tecnologia para aliviar o fardo dos menos privilegiados e ajudar os mais necessitados?

Muitas pessoas não hesitam em fazer donativos generosos quando ocorrem desastres naturais, ou para auxiliar os enfermos e os pobres. No entanto, a angariação de donativos e a sua entrega a quem deles necessita pode demorar muito tempo. Situações inesperadas que originam novos atrasos podem também ocorrer.

Charitech começa em casa

Há quatro anos, a Tencent (através da sua app social Weixin WeChat nos mercados internacionais) lançou a primeira campanha de doações online na China. Os participantes podiam doar diretamente às suas organizações de caridade ou organizações filantrópicas preferidas através do Weixin Pay e podiam monitorizar o progresso das suas doações. Até agora, o 9.9 Charity Day (assim chamado uma vez que é realizado anualmente a 9 de setembro) angariou quase 2,1 mil milhões de yuan (309 milhões de dólares) de 49,5 milhões de pessoas e beneficiou 7300 organizações caritativas espalhadas pelo país.

Estou convencido que com a ajuda da tecnologia, a filantropia pode ser incorporada nas nossas atividades cotidianas e tornar-se mais divertida, inovadora e acessível a mais pessoas. Por exemplo, o nosso programa de Doação a Passo converte o número de passos dos utilizadores do Weixin em contribuições de empresas participantes. E o nosso programa Doação por Voz permite que os utilizadores do Weixin leiam em voz alta poemas e histórias que serão transformados em livros áudio para pessoas invisuais.

Se olharmos para um futuro, o envelhecimento das populações colocará uma pressão crescente nos sistemas de saúde da China e globais. Seremos capazes de utilizar a tecnologia para ajudar os governos a melhorar a eficiência dos sistemas de saúde? O que podemos fazer para aliviar a dor dos pacientes e reduzir o stress às suas famílias?

Na China, formar um médico demora cerca de oito anos, mas a procura por serviços médicos supera em muito a oferta disponível. Não existem atalhos para a formação de profissionais médicos, mas a tecnologia poder ter uma impacto significativo se ajudar a indústria na transição para cuidados de saúde inteligentes.

A filantropia pode ser incorporada nas nossas vidas diárias

Para os médicos, a inteligência artificial (IA) pode ser uma enorme ajuda por três vias. Primeiro, pode desempenhar tarefas onerosas, tal como compilar relatórios, libertando assim tempo para os médicos se dedicarem ao tratamento de pacientes. Segundo, pode aprender a analisar imagens médicas com base em big data, aumentando desta forma a eficácia e precisão dos diagnósticos. Hoje, a localização de lesões e a avaliação preliminar das propriedades de um pólipo demora apenas um décimo de segundo. Terceiro, a IA pode aprender a relacionar imagens médicas com genes patológicos e gerar recomendações para serviços de saúde personalizados.

Para os pacientes, as plataformas sociais podem conectá-los a médicos remotamente, eliminando horas de frustração e espera para eles e respetivas famílias. Com os seus smartphones, as pessoas podem agendar consultas com os seus médicos preferidos com as pontas dos dedos. Se não se conseguirem deslocar, podem falar com os médicos via vídeo, pagar as consultas e receitas através do Weixin Pay e, depois, levantar os medicamentos na farmácia mais próxima.

A internet tornou-se profundamente entranhada nas nossas vidas em formas que refletem as imaginações das mentes mais criativas. O 5G (a próxima geração da tecnologia móvel) irá acelerar a evolução digital que ajudará muitos negócios tradicionais a fazer a transição para uma indústria mais inteligente. Acolhamos de braços abertos estas oportunidades, não apenas para fazermos crescer os negócios mas também para criar valor para as comunidades menos privilegiadas.