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Mary Meeker, a “Rainha da Internet”, publicou recentemente o seu Internet Trends Report na Code Conference.

A apresentação de 333 páginas contém uma imensidão de dados que merecem uma análise cuidada. Partilhamos abaixo os pontos, na nossa opinião, mais importantes:

  • 51% da população mundial– 3,8 biliões de pessoas – é utilizadora de internet. Em 2017, eram 49% (3,6 biliões). O crescimento abrandou para cerca de 6% em 2018. As vendas de smartphones – que são o principal ponto de acesso à internet para muitas pessoas – estão a recuar. A maior parte do mundo já está online.
  • Sete das 10 empresas mais valiosas do mundo (em capitalização bolsista) são tecnológicas. Berkshire Hathaway, Visa e Johnson & Johnson são as honrosas exceções:
  1. Microsoft
  2. Amazon
  3. Apple
  4. Alphabet
  5. Berkshire Hathaway
  6. Facebook
  7. Alibaba
  8. Tencent
  9. Visa
  10. Johnson & Johnson
  • E-commerce representa hoje 15% das vendas de retalho. O crescimento abrandou – um aumento de 12,4% no 1º trimestre face ao ano anterior – mas, ainda assim, bem mais elevado que o crescimento no retalho tradicional – 2% no 1º trimestre.
  • Os gastos com publicidade na internet aceleraram nos Estados Unidos, 22% em 2018. A fatia maior dos gastos continua a ser feita na Google e Facebook, mas a cota da Amazon e Twitter está a crescer.
  • Os custos de aquisição de clientes – o custo de marketing necessário para atrair novos clientes – está a aumentar. Isto é insustentável uma vez que, em alguns casos, ultrapassa a receita de longo prazo que esses clientes trazem.
  • Publicidade direcionada enfrenta numerosos problemas, incluindo impacto da GDPR e outra regulação, assim como iniciativas que exigem mais privacidade das empresas de hardware e software, como Apple e Facebook.
  • Os americanos gastam cada vez mais tempo com media digital: 6,3 horas por dia em 2018, uma subida de 7% face ao ano anterior. A maior parte desse crescimento advém de dispositivos móveis. Tempo passado ao computador diminuiu. O tempo passado online está a preocupar os americanos; mais de um quarto dos adultos diz que está “quase constantemente online”.
  • A inovação em empresas fora dos EUA mantém-se robusta. Áreas populares incluem entregas e pagamentos.
  • As pessoas comunicam cada vez mais através de imagens. Wifi mais rápido e telemóveis com câmaras cada vez melhores encorajam esta tendência. Mais de 50% das impressões no Twitter envolvem imagens, vídeo ou outros media; Twitter costumava ser só texto.
  • O número global de gamers interativos cresceu 6% para 2,4 biliões de pessoas no ano passado; jogos como Fortnite são a nova rede social para muitos pessoas. O número de pessoas que assistem a estes jogos – ao invés de participar – cresce também.
  • À medida que a privacidade se torna um argumento de venda cada vez mais importante, podemos esperar mais opções para tornar as nossas comunicações online mais seguras. No 1º trimestre, 87% do tráfego web foi encriptado; há 3 anos, era 53%.
  • A internet continuará a ser cada vez mais um esgoto: livrarmo-nos de conteúdo problemático é cada vez mais difícil em larga escala, e a própria natureza da comunicação via internet permite que esse conteúdo seja amplificado cada vez mais facilmente. 42% dos adolescentes americanos já foram insultados online, terroristas são radicalizados em sites como o Youtube e os media sociais encorajam a polarização política.
  • Das 25 tecnológicas mais valiosas, 60% foram fundadas por imigrantes de 1ª ou 2ª geração. Empregaram 1,9 milhões de pessoas no ano passado. Novas leis de emigração mais restritivas podem ter um impacto negativo na indústria tecnológica e poderão impedir a chegada de um novo Elon Musk aos Estados Unidos
  • Health Care é cada vez mais digitalizado. Teremos mais telemedicina e consultas remotas on demand.