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Autoria
Morgan Housel
Morgan Housel

Publicado no blog Collaborative Fund a 22 de abril de 2021 por Morgan Housel

O espectro do otimismo e do pessimismo

Num extremo, temos o otimista puro. Ele acredita que está tudo bem, sempre estará bem e encara a negatividade como uma falha de caráter. Parte disto está enraizada no seu ego: o otimista puro tem tanta confiança em si próprio que não consegue imaginar que alguma coisa corra mal.

Depois, temos as pessoas extremamente otimistas que aceitam que, ocasionalmente, acontecem coisas más às outras pessoas. Elas leem as más notícias com um fascínio distante, mas encaram o seu próprio futuro como um mar de rosas e não conseguem imaginar algo de diferente.

De seguida, estão os otimistas que conseguem ser céticos relativamente ao otimismo das outras pessoas. Eles veem o seu futuro como imaculado, mas possuem um detetor de treta de baixo calibre, e pressentem quando o otimismo é, na realidade, um argumento de venda.

Um degrau abaixo estão os otimistas, totalmente confiantes em si próprios, mas igualmente pessimistas acerca dos outros. É fácil confundi-los com pessimistas, mas, na realidade, eles veem o seu próprio futuro como perfeito.

Depois, temos uma espécie especial: o otimista que encara o futuro de todos como sombrio apenas e só porque algumas coisas, ou algumas pessoas, se atravessam no caminho. Eles são pessimistas, com um único problema, que, de outra forma, seriam. São infelizes, porque o mundo perfeito está simultaneamente tão próximo e tão distante.

A seguir, vêm as pessoas pessimistas com as palavras, mas otimistas com as ações. Elas são atraídas pelo pessimismo porque é intelectualmente sedutor e chama a atenção das pessoas. Mas os seus portfólios de investimento estão claramente desenhados para um mundo onde as coisas melhoram. Muitos comentadores cabem nesta categoria.

No meio, temos os chamados otimistas razoáveis: aqueles que reconhecem que a história é uma sequência constante de problemas, deceções e contratempos, mas que se mantêm otimistas porque sabem que os contratempos não impedirão o eventual progresso. Eles parecem hipócritas e indecisos, mas, muitas vezes, estão apenas a olhar mais longe do que os outros.

Em seguida, vêm os probabilistas. Eles sabem que o progresso é provável, mas consideram tudo como uma questão de apostar nas probabilidades. Não sou otimista, disse certa vez Hans Rosling. Eu sou um possibilista muito sério.

Agora entramos nos pessimistas encapotados: aqueles que veem o progresso histórico como um acaso único, mas acreditam que no futuro, o mais provável será um crescimento reduzido estagnação. Eles têm orgulho no que conquistamos, mas duvidam que possa continuar.

Mais adiante vêm os céticos. Eles não discordam de que o progresso é possível, até mesmo provável. Mas as evidências que exigem para provar esse progresso são tão rigorosas que só as observações retrospetivas são convincentes - e mesmo assim, questionam-se se os dados são precisos ou se há algo mais que não estamos a ver. Eles são boas pessoas, mas torturam-se, porque sabem que o progresso está a acontecer, mas em vez de o apreciar, lutam para negá-lo.

Entramos agora na primeira camada dos verdadeiros pessimistas. Eles sabem que o mundo vai melhorar, as coisas vão melhorar, os negócios tornar-se-ão mais produtivos - mas acreditam que pessoalmente não farão parte do progresso.

Depois, estão aqueles que acreditam que o progresso só beneficia pequenos grupos de pessoas, enquanto que o bem-estar da maioria estagna ou diminui à medida que são explorados por esse pequeno grupo de vencedores. (Talvez o grupo mais razoável de pessimistas).

Um nível abaixo, estão aqueles que torcem silenciosamente pelo declínio, habitualmente para beneficiar os seus investimentos. Costumam dizer coisas como "Espero que a minha previsão não esteja certa", mas nada os deixa mais felizes do que sinais de uma nova recessão, uma crise financeira ou o aumento da inflação.

Entramos agora na escuridão a sério: pessoas que acreditam que as evidências do progresso passado são enganadoras, incompletas ou manipuladas para pintar um quadro cor de rosa. Segundo eles, a realidade é que a vida é tão difícil e ineficiente hoje como o tem sido desde há muito tempo e continuará assim no futuro.

De seguida, vêm os cínicos, que veem qualquer pessoa que promova o progresso como sendo secretamente motivada pelo poder e alimentada pela corrupção.

E, finalmente, o pessimista puro. Ele acredita que tudo é terrível, será sempre terrível e encara positividade como uma falha de caráter. Parte disto está enraizada no seu ego: o pessimista puro tem tão pouca confiança em si próprio que não consegue imaginar que alguma coisa corra bem. Ele é o total oposto do otimista puro, e, como ele, está completamente desligado da realidade.

 


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