Emília Vieira:
FundsPeople, 01 Junho 2021
Emília Vieira: "Não temos necessidade de estar colados a um índice ou em estar certos todos os dias"

Uma entrevista, a pretexto do lançamento do primeiro fundo da Casa de Investimentos, o Casa Global Value PPR, em que Emília Vieira, CEO da gestora, aborda os princípios que regem a sua filosofia de investimento.

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Emília Vieira:
TSF, 13 Abril 2021
Emília Vieira: "Save & Grow - isto é uma parceria de longo prazo. Save é o trabalho de quem nos entrega o dinheiro, é poupar. Grow é o nosso, é fazermos crescer."

Transmitido originalmente na rádio TSF a 13 de abril de 2021.

Negócios em Português - 13/04/2021 - Emília Vieira

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Emília Vieira (Casa de Investimentos):“Investir em ações a um ano ou dois não faz sentido; tentar adivinhar e entrar e sair do mercado é um jogo perdedor”
FundsPeople Portugal, 08 Abril 2021
Emília Vieira (Casa de Investimentos):“Investir em ações a um ano ou dois não faz sentido; tentar adivinhar e entrar e sair do mercado é um jogo perdedor”

Investidores em valor, que procuram “valor de qualidade excecional” que se possa “comprar a desconto” pela “margem de segurança” que isso proporciona e para “potenciar os retornos no futuro”. A filosofia da Casa de Investimentos é já bem conhecida do mercado. Depois de, no final de 2019, terem adicionado a valência de gestora de fundos mobiliários à gestão de patrimónios, a filosofia da casa vê-se agora veiculada também num fundo de investimento. O racional? “Ao longo dos anos, fomos conquistando um público que nos segue e se identifica com os princípios da filosofia de investimento, com os valores que a Casa defende e com a nossa estratégia de investimento a longo prazo que não segue modas ou faz timing de mercado. Muitos destes fãs e seguidores da Casa não tinham ainda os 100 mil euros que são necessários para a abertura de contas individuais. São sobretudo pessoas com patrimónios mais baixos ou que apesar de terem patrimónios significativos, não querem começar a investir em ações com valores tão elevados”, explica Emília Vieira, CEO da entidade gestora de Braga em entrevista à FundsPeople.

A Casa de Investimentos caminha agora em “duas avenidas”, como afirma a profissional. “Por um lado, reforça a sua capacidade de prestar um serviço de elevada qualidade aos patrimónios mais elevados com um acompanhamento profissional e personalizado”, no seguimento do reforço das equipas de investimentos, comercial e operacional. “Por outro, através da plataforma digital, disponibiliza o Fundo Casa Global Value PPR/OICVM, com a mesma filosofia de investimento e com uma carteira de investimentos e gestão muito semelhante à gestão de carteiras de patrimónios elevados”, aponta. A entidade gestora disponibiliza uma plataforma que denominou de Save & Grow, onde “os clientes têm também a “comodidade de poderem abrir conta, subscrever o fundo, fazer reforços, resgatar, consultar os investimentos em que se encontram investidos podendo aceder à sua conta sete dias por semana, 24h por dia”. 

Um fundo PPR beneficia de um enquadramento fiscal que incentiva o investimento a longo prazo, sobretudo para períodos de detenção superiores a oito anos. Isto tem muito a ver com o horizonte de investimento que sempre privilegiámos.”

Falamos de uma estratégia de investimento de ações, global, com uma abordagem bottom-up, isto é, onde “o foco passa por analisar e avaliar oportunidades concretas de investimento, construindo a partir daí o melhor portefólio possível numa lógica permanente de análise risco-retorno”, segundo a CEO da entidade gestora. “Não quer isto dizer que somos alheios à situação atual económica ou específica de determinadas regiões ou setores. O que temos é a preocupação de, conscientemente, focar a atenção da equipa na análise de determinados setores ou empresas que nos pareçam promissoras ou então situações que o mercado possa estar a interpretar de uma forma diferente ao nosso julgamento e onde possamos detetar oportunidades de valor”.

Pacote PPR

Dada a flexibilidade permitida aos fundos PPR desde que foram retirados os limites ao investimento em ações, várias foram as razões que orientaram a Casa de Investimentos na escolha desta estrutura para lançar o seu primeiro fundo no mercado. “Em primeiro lugar, um fundo PPR beneficia de um enquadramento fiscal que incentiva o investimento a longo prazo, sobretudo para períodos de detenção superiores a oito anos. Isto tem muito a ver com o horizonte de investimento que sempre privilegiámos. Investir em ações a um ano ou dois não faz sentido; tentar adivinhar e entrar e sair do mercado é um jogo perdedor. Apesar da grande flexibilidade de levantamento, se o investidor o desejar e precisar de o fazer, se se mantiver investido vai colher, por via da capitalização de valorizações, os benefícios do efeito “bola de neve” a que muitas vezes se refere o senhor Warren Buffett”, explica Emília Vieira. Adicionalmente, aponta, “com esta configuração, os clientes que estiverem descontentes com a diminuta ou mesmo ausência de rendimento de outros PPR que ainda detenham, podem migrar esses valores para o nosso fundo, sem custos e com preservação da antiguidade”.

Pessoas e abordagem

A equipa executiva, composta pelos administradores da Casa de Investimentos, é a responsável pela estratégia global e pela adequação de todas as equipas ao crescimento do negócio. “Gostamos de o fazer com tempo e preferimos ter uma estrutura sobredimensionada para acomodar o crescimento e assegurar um serviço de primeira qualidade”, comenta Emília Vieira.  Foi aliás o que fizeram nos últimos anos enquanto aguardavam pela autorização para ser gestora de fundos. “Preparámos a área de compliance, reforçámos a estrutura operacional, reforçámos a equipa de investimentos e a equipa de administração com a entrada de António Murta como administrador independente e de Nuno Lopes Gama, que ocupava o cargo de Head of Innovation na Sonae. O Nuno Lopes Gama entrou na Casa em 2019 com o objetivo de escalar o negócio e prepará-lo com tecnologia aliada a um rigoroso desenho de processos que nos permitem agora estar muito bem apetrechados para chegar, por via digital e com a melhor experiência, a milhares de clientes, como ambicionamos. Já muito recentemente contratámos o Davide Catarino, com experiência de gestão comercial em grandes empresas dos setores financeiro e de retalho para reforçar a equipa comercial ao nível institucional e junto de Family Offices, clientes particulares e empresas com patrimónios elevados ou disponibilidade para considerar o nosso fundo PPR como benefício para os seus colaboradores”, descreve a CEO.

Por seu lado, a equipa de investimentos “é responsável pela implementação da filosofia de investimento em valor. A estratégia é definida em comité de investimentos e em consonância com a equipa executiva da Casa. A equipa de analistas tem formação de grande nível internacional, tem experiência e, sobretudo, partilha da filosofia e tem o gene do valor. Cada analista acompanha um conjunto de empresas que temos em carteira, as notícias sobre essas empresas, as apresentações de resultados e a concorrência mais direta”.

Os parceiros operacionais e a distribuição

No campo do depósito e custódia a entidade elegeu o BiG como depositário e o BNP Paribas como custodiante. “Quando procuramos parceiros financeiros temos sempre três grandes preocupações: a segurança da instituição, a sua capacidade operacional nos mercados internacionais (nomeadamente eficiência, segurança e rapidez de colocação de ordens) e o preço a que nos prestam estes serviços. O Banco BiG foi a nossa escolha por consideramos assegurar estes três requisitos. O facto de o BNP Paribas ser o custodiante final, também pesou na decisão de trabalharmos com o BiG. O BNP Paribas é nosso parceiro financeiro desde a fundação da Casa”.

Com duas classes previstas inicialmente, apenas a classe Founders está disponível neste momento, aquela cuja distribuição é assegurada diretamente pela Casa de Investimentos no portal Save & Grow. “A classe Founders é isso mesmo, são os primeiros, os mais convictos e que estão muito familiarizados e em sintonia com a filosofia de investimento, com a estratégia de longo prazo e com a nossa propensão para adicionar conhecimento financeiro com bastante valor. Os clientes Founders têm, e terão sempre, a comissão mais baixa de entre as classes de retalho e um conjunto de regalias especiais entre as quais o acesso às nossas cartas trimestrais, que gozam de grande qualidade de informação sobre mercados e sobre a carteira de investimentos e decisões de gestão que tomamos”, explica Emília Vieira. O objetivo da entidade gestora é que os investidores Founders “ajudem nesta campanha de literacia financeira, num contexto de taxas de juro zero e em que muitos têm os seus valores investidos sem rendimento”.  A comissão de gestão desta classe é de 1,4% e a taxa de encargos correntes, onde se inclui aquela comissão, é de 1,76%. O investimento mínimo são mil euros.

Na revista FundsPeople de maio e junho será detalhado o processo de investimento do Casa Global Value PPR/OICVM numa segunda parte da entrevista a Emília Vieira.

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Emília Vieira:
Executiva, 26 Março 2021
Emília Vieira: "A educação financeira é também um motor de transformação para uma sociedade mais equilibrada e próspera"

Em novembro de 2010 lançou a Casa de Investimentos, para gerir carteiras individuais, mas sempre teve o desejo de democratizar o acesso à filosofia de investimento em valor. "Qualquer valor poupado merece e deve ser bem investido porque representa esforço para o conseguir e também para não o gastar", afirma agora que lança o fundo PPR Casa Global Value.

No meio de um ambiente altamente recessivo, Emília Vieira lançou a Casa de Investimentos, em Braga, para atrair primeiro os investidores minhotos, mas tendo já na mira o mercado nacional. É seguidora da filosofia de investimento de Warren Buffett, o que lhe permite garantir boas rentabilidades mesmo em tempos recessivos. Volvida uma década, a Casa tem ativos sob gestão que ascendem a 150 milhões de euros, uma rentabilidade acumulada de 129,65% e anualizada de 8,42%, em média.

Agora, correspondendo ao objetivo de democratizar o acesso à filosofia de investimento em valor, porque “qualquer valor poupado merece e deve ser bem investido porque representa esforço para o conseguir e também para não o gastar”, a Casa de Investimentos lança o fundo de investimento PPR Casa Global Value. Nesta entrevista, Emília Vieira explica a opção por um Plano Poupança reforma (PPR), quais as vantagens do fundo de investimento e os benefício s atribuídos aos founders, os primeiros 1000 participantes.

 

Por que razão a Casa de Investimentos decidiu lançar o fundo de investimento PPR Casa Global Value?

A Casa de Investimentos iniciou a sua atividade em novembro de 2010 com a gestão de carteiras individuais. Nos primeiros anos, o montante mínimo de abertura de conta era de 25 mil euros. Estávamos a começar e não era fácil, no contexto da crise financeira, que nos confiassem valores muito elevados. Contudo, à medida que crescemos em ativos sob gestão e para conseguirmos assegurar um serviço de acompanhamento de grande nível, decidimos alterar para 100 mil o montante mínimo de abertura de conta.

Ao longo dos anos fomos sempre abordados por investidores para abertura com montantes mais baixos. A verdade é que tivemos sempre o desejo de poder trabalhar a poupança mais pequena e democratizar o acesso à filosofia de investimento em valor. Qualquer valor poupado merece e deve ser bem investido porque representa esforço para o conseguir e também para não o gastar.

Por isso, em 2015 iniciámos o pedido de licença para a gestão de Organismos de Investimento Coletivo para podermos ser Sociedade Gestora de Fundos de Investimento. O processo foi longo na CMVM e só no final de 2019 nos foi dada a licença.

Nessa altura e já com alterações na legislação, considerámos que o Fundo PPR era o mais adequado. Primeiro porque faz o matching perfeito com o nosso horizonte de investimento de longo prazo. Segundo porque, apesar da grande flexibilidade de levantamento se o investidor o desejar ou precisar de o fazer, se se mantiver investido beneficia de um tratamento fiscal muito favorável que incentiva o investimento a longo prazo. Além disso, é gerido numa única conta e subscrito através de unidades de participação, tornando a estrutura operacional muito eficiente em termos de custos.

Hoje contamos já com clientes cujos patrimónios vão dos 1000 a valores que ultrapassam os 20 milhões de euros.

Em que medida este fundo se compatibiliza com a atuação normal da Casa de Investimentos de gestão de carteiras de investimento?

Totalmente. A Casa de Investimentos disponibiliza agora a mesma gestão e filosofia de investimentos com serviços muito diferentes: os clientes que desejem ter a sua conta de investimento individual podem abrir conta a partir de 100 mil euros e têm um elemento da equipa comercial que os acompanha e explica os investimentos. Recebem extratos mensais com toda a informação sobre a conta e as Cartas Trimestrais com a exposição dos investimentos e a justificar as decisões de investimento.

Por outro lado, os clientes Fundo PPR, com rentabilidades otimizadas pela sua eficiência fiscal e operacional, podem abrir conta a partir de 1000 euros, com reforços a partir de 100 euros e podem estabelecer um plano de entregas programadas mensais, trimestrais ou outras. Para prestarmos um bom serviço, com transparência e comodidade, os clientes do fundo têm acesso às suas contas a partir de qualquer lugar 24h por dia, 7 dias por semana. Contratámos a melhor empresa europeia de software nesta área para desenvolver o Portal de Cliente, a que demos o nome de Save & Grow. Este canal digital permite aos clientes abrir conta, consultar as posições, subscrever e resgatar (que esperamos não façam nos primeiros anos) e aceder às comunicações da equipa de gestão de investimentos.

Hoje contamos já com clientes cujos patrimónios vão dos 1000 a valores que ultrapassam os 20 milhões de euros. O fundo segue a mesma estratégia de investimento das carteiras individuais e está investido nas mesmas empresas.

Porque demorou quatro anos a ser aprovado?

Na verdade, o Fundo demorou apenas meses a ser aprovado. O que demorou quatro anos foi a aprovação da Casa de Investimentos como Sociedade Gestora de Organismos de Investimento Coletivo.

Para nós esta licença era importante para termos controlo sobre os custos de gestão de qualquer fundo que se decida criar. Para além disso, é também importante para o segmento de Clientes de patrimónios financeiros elevados com que trabalhamos. Caso estes decidam constituir um fundo fechado ou outros instrumentos, a Casa de Investimentos está licenciada pelo Regulador para prestar esse serviço e os apoiar, com custos muito sensatos.

Ainda assim, quatro anos é, de facto, muito tempo.

Qual a filosofia subjacente a este fundo e porquê a opção por 100% acções? 

A filosofia é de investimento em valor, focada na qualidade das empresas em que investimos. Gostamos de manter as coisas simples: comprar bons ativos a desconto é a melhor forma de proteger o património.

100% ações porque acreditamos que as ações foram a melhor classe de ativos para estar investido nos últimos 120 anos. Há muitos estudos que o comprovam por todo o mundo e não apenas para os Estados Unidos. Tudo leva a crer que, no futuro, isso se repita. As empresas são “organismos vivos” que, com o engenho humano e a evolução tecnológica, procuram alcançar lucros cada vez maiores prestando serviços e vendendo produtos que o mundo precisa para funcionar. É nesta classe de ativos que vemos maior alinhamento de interesses entre os gestores e os acionistas.

Privilegiamos o investimento em empresas com marcas fortes que sejamos capazes de perceber bem como operam os seus negócios e como geram riqueza. Procuramos que sejam as melhores do seu setor, que tenham vantagens competitivas duradouras.

Que acções privilegiam?

Privilegiamos o investimento em empresas com marcas fortes que sejamos capazes de perceber bem como operam os seus negócios e como geram riqueza. Procuramos que sejam as melhores do seu setor, que tenham vantagens competitivas duradouras que lhes permitam manter retornos nos capitais investidos acima da média. Gostamos que tenham capacidade de geração de Free Cash Flow elevado. Procuramos que sejam geridas por gestores capazes e com provas dadas a criar valor para os acionistas e com uma estratégia de longo prazo. Quando encontramos estes negócios a transacionar a preços atrativos, compramos e mantemos em carteira enquanto preservarem estas características que os distinguem e cotem em torno do seu valor intrínseco. Se os mercados nos cotarem um preço muito elevado, vendemos. Estamos sempre à procura de novas oportunidades para podermos estar preparados.

Quais as condições de adesão e de que beneficiam os Founders?

O Fundo iniciou-se a 1 de outubro com um conjunto muito pequeno de clientes. Eu sou a cliente número 1 e os quadros da Casa de Investimentos são subscritores do fundo. Quisemos testar todos os processos operacionais e garantir que nos preparávamos para prestar um serviço de primeira classe e assegurar aos novos clientes que trabalhamos com segurança.

Convidámos depois, em início de dezembro, todos os nossos clientes, para que pudessem ter acesso caso o desejassem, e ainda a uma longa lista de pessoas que muito estimamos e estiveram à espera anos para poderem ser clientes da Casa por não terem os 100 mil euros para investir de que falei.

Só no sábado passado anunciámos publicamente o lançamento do fundo e começámos a aceitar pedidos de convite de acesso à classe Founders do Fundo através da página saveandgrow.casadeinvestimentos.com. A classe Founders, conforme poderá ser visto no Prospeto do Fundo, tem previstos 1000 participantes. Ora, nas primeiras 24 horas após o anúncio, já tínhamos ultrapassado os 1000 pedidos de convite. Estes números superaram largamente as nossas expetativas. O que recomendamos às pessoas interessadas num convite é inscreverem-se e encaminharem o seu link de partilha a amigos, colegas de trabalho, familiares e, desta forma, subirem a sua posição no ranking para virem a conseguir estar entre os 1000 convidados a subscrever a classe Founders.

O nosso objetivo com os Founders é conseguir que nos ajudem nesta campanha de literacia financeira, num contexto de taxas de juro zero e em que muitos têm os seus valores investidos sem rendimento. Os próprios PPR têm rendimentos muito baixos e podem agora ser transferidos de qualquer instituição, sem custos e mantendo os privilégios e antiguidade.

Os clientes Founders têm, e terão sempre, a comissão mais baixa de entre as classes de retalho do Fundo e um conjunto de regalias especiais entre as quais o acesso às nossas Cartas Trimestrais que gozam de grande qualidade de informação sobre mercados e sobre a carteira de investimentos e decisões de gestão que tomamos.

Um dos mais reputados cientistas em estudos sobre os mercados financeiros mundiais é o Professor Elroy Dimson. No livro de que é co-autor, O Triunfo dos Otimistas, demonstra que, desde 1898, as ações, quando comparadas com imobiliário, obrigações, depósitos, são, por larga margem, o investimento com melhor retorno, independentemente da geografia estudada e onde incluem Portugal.

 

Define o investidor inteligente como optimista e paciente. Pode explicar?

Um dos mais reputados cientistas em estudos sobre os mercados financeiros mundiais é o Professor Elroy Dimson, que trouxemos a Portugal no final de 2017. No livro de que é co-autor, O Triunfo dos Otimistas, demonstram que, desde 1898, as ações, quando comparadas com imobiliário, obrigações, depósitos, são, por larga margem, o investimento com melhor retorno, independentemente da geografia estudada e onde incluem Portugal. Nesse livro defendem, “Triunfaram os otimistas, aqueles que acreditaram na capacidade do engenho humano e nos avanços tecnológicos e que permitiram conseguir ganhos de produtividade”. Hoje, nós temos o privilégio desse conhecimento.

Quanto ao paciente, esse é um ingrediente essencial. As ações são investimentos mais voláteis no curto prazo. Contudo, no longo prazo, a 5, 10 ou 20 anos, os retornos dos investidores, é muito semelhante aos resultados líquidos que essas empresas conseguiram ganhar para os seus acionistas. Por isso, basta escolher bem e ser paciente.

Desde a sua fundação, qual a rentabilidade média acumulada e anualizada da Casa de Investimentos? 

A rentabilidade acumulada é de 129,65%. A rentabilidade anualizada média é de 8,42%.

Qual o montante dos activos sob gestão?

Os ativos sob gestão são cerca de 150 milhões de euros.

Qual o impacto que a pandemia teve na atividade da Casa de Investimentos? 

Este é um negócio de confiança e, naturalmente, o facto de não poder haver reuniões presenciais dificultou chegar a novos clientes. Além disso, a incerteza quanto ao futuro, fez com que muitos tivessem receio em reforçar o investimento em ações. Não é fácil, através de um ecrã do computador, demonstrar que se é competente e sério e que acreditamos verdadeiramente no que dizemos e fazemos.

Para além disso, alguns clientes assustaram-se e venderam as carteiras de investimento e perderam esta recuperação. É natural que as pessoas tenham medo, esta foi uma crise muito diferente e sem precedentes. Nunca ninguém viu o mundo parar. Isto aconteceu com alguns clientes que estavam connosco há pouco tempo.

Em contraponto, março de 2020 foi o nosso melhor mês de sempre em reforços de contas, a corresponderem à recomendação que fizemos numa carta especial que escrevemos a clientes.

Depois de um 2019 com rentabilidades líquidas para clientes de quase 30%, 2020 fechámos com uma rentabilidade negativa nas contas dos clientes. Como parte da nossa remuneração é a comissão variável que depende da rentabilidade das carteiras, a faturação da Casa de Investimentos foi muito inferior. Sabemos bem que este é um mercado volátil e, por isso mesmo, gerimos a Casa com margem de segurança, mantendo capitais próprios muito elevados. Nos primeiros meses de 2020 havíamos procedido a um aumento do capital social para 2 milhões de euros.

Os tempos que atravessamos são difíceis. Mas são sempre difíceis: quando o mercado cai e tem boas oportunidades, as notícias na comunicação social são más e não investem. Esta é a melhor altura para investir.  Quando os mercados sobem, não investem porque estão caros. Muitos ficam foram do mercado anos à espera de entrar.

Como tranquilizaram os clientes em relação ao seu investimento nos tempos tumultuosos que atravessamos?

Somos muito transparentes na comunicação, assumimos quando erramos e cada vez erramos menos. Os nossos clientes sabem que temos genuinamente os seus interesses no coração e que o propósito da Casa de Investimentos é torná-los mais ricos a longo prazo, procurando sempre assumir riscos baixos.

As nossas comunicações são claras e demonstram a competência de toda a equipa e o conhecimento profundo dos negócios em que investimos. Os nossos clientes sabem que reforçámos a equipa de investimentos, a equipa operacional e os processos e a capacidade técnica e tecnológica.

Julgo que o mais importante é saberem que estamos comprometidos com o seu futuro financeiro e que temos os interesses alinhados. Sabem que não procuramos caminhos fáceis e que não nos escondemos quando mais precisam de nós: quando têm medo, quando os vieses comportamentais os testam e querem alterar o rumo. Não fazemos o que é confortável a cada momento. Procuramos fazer o que está certo porque sabemos assumir a responsabilidade de gerir o esforço do trabalho e da poupança.

Os tempos que atravessamos são difíceis, é verdade. Mas são sempre difíceis: quando o mercado cai e tem boas oportunidades, as notícias na comunicação social são más e não investem. Esta é a melhor altura para investir.  Quando os mercados sobem, não investem porque estão caros. Muitos ficam foram do mercado anos à espera de entrar.

Hoje, há excelentes oportunidades para aproveitar se decidirem ser investidores para cinco ou mais anos.

Os que querem ou precisam estar sempre certos e verem a sua carteira de investimentos subir todos os dias, esses sim, devem ter cuidado.

As contas de investimento em que as mulheres são co-titulares dos maridos, têm melhores rentabilidades porque, nesses casos, eles assumem menos riscos.

Na sua opinião, porque é que as mulheres são mais negligentes na gestão do seu património? Da sua observação, que consequências essa atitude pode ter?

Não é bem essa a minha experiência.

No livro Warren Buffett invests like a girl, LouAnn Lofton escreveu qualquer coisa como: “Tal como Buffett, as mulheres têm um temperamento mais calmo, uma perspetiva de mais longo prazo, as suas análises são mais profundas, transacionam menos e mantêm-se calmas em momentos de maior pressão”.

Há ainda estudos que demonstram que as contas de investimento em que as mulheres são co-titulares dos maridos, têm melhores rentabilidades porque, nesses casos, eles assumem menos riscos. A Fidelity tem aliás uma compilação de décadas de observações que o demonstra.

Possivelmente essa perceção pode derivar de, tradicionalmente, as mulheres deixarem esses assuntos financeiros mais para os homens. No entanto, hoje vemos cada vez mais as mulheres assumirem essas responsabilidades e os maridos a incluí-las nos processos de decisão.

Como gestora de dinheiro mas, sobretudo, como mulher e mãe de um rapaz e de uma menina, parece-me muito importante que se ensine desde tenra idade a lidar com o dinheiro, que se ensine sobre a importância de poupar, de ser disciplinado com o dinheiro e de ser capaz de fazer escolhas. Se perceberem desde cedo a vantagem de poupar, assim como alguns princípios simples do investimento seguro, estamos a preparar homens e mulheres para serem mais responsáveis por si e pelos outros, para serem mais capazes e mais livres para tomar decisões e construírem um futuro independente. Isso resultará também em serem mais felizes. Estou mesmo convencida disso e acredito que a educação financeira é também um motor de transformação para uma sociedade m

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Em entrevista ao JE, presidente da Casa de Investimentos diz que ter o dinheiro aplicado em depósitos a prazo é empobrecer, devido às baixas taxas de juro. “É garantido, mas é zero”, diz.

Vídeo da Entrevista

Emília Vieira, presidente da gestora de património Casa de Investimentos está a lançar o seu primeiro fundo PPR (plano de poupança reforma) que segue a filosofia de valor, que tem por base o investimento em ações, a longo prazo, seguindo premissas de investimento do investidor norte-americano Warren Buffet.

Nesta “Fast Talk” do JE, Emília Vieira explicita as características deste fundo, mas também sobre o atual momento dos mercados financeiros, enquadrados pelas consequências da crise pandémica que atravessamos, mas também por um período alargado de taxas de juro invulgarmente baixas.

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A celebrar uma década, a Casa de Investimentos, de Braga, lança o primeiro Fundo Plano de Poupança Reforma (PPR) 100% ações. Se, por um lado, o novo produto está na linha daquilo que é a essência da própria empresa, por outro, inaugura a intenção de democratizar o acesso ao investimento, na medida que pode ser subscrito a partir de mil euros. Na sua gestão de carteiras individuais só é possível investir a partir de 100 mil euros, embora a empresa conte com vários clientes detentores de poupanças acima de um milhão.

Desde "a fundação, a Casa de Investimentos privilegiou o investimento em ações". Emília Vieira, fundadora e CEO da empresa, afirma que estes investimentos feitos a "longo prazo" e nas "empresas certas" têm "risco baixo". "Investimos numa carteira de 25 a 30 grandes empresas mundiais, entre as quais, a Google e a Amazon, escolhidas pela sua capacidade de gerar valor para os acionistas."

"Avaliamos as empresas pelo seu desempenho nos últimos dez a 20 anos, pela riqueza que geraram para os acionistas e o rendimento que podem produzir no futuro. Avaliamos a qualidade do negócio de cada empresa, a equipa de gestão, a força do balanço e as vantagens competitivas", explica a gestora. A "diversificação por setores de atividade e por geografias" também pesa nos critérios de seleção.

Depois, o ganho dos clientes, consiste em "comprar quando as ações cotam a desconto face ao valor intrínseco", na lógica de "saber que o ativo em causa vale mais do que o que aquilo que está a ser pago por ele", seguindo a escola de Warren Buffett.

"Isto é conservador", assume Emília Vieira, explicando que "o rendimento do trabalho tem vindo a cair, mas o rendimento do capital tem aumentado, daí haver cada vez mais concentração da riqueza - mas é importante que cada um tenha a sua poupança". Sobre os investimentos em depósitos diz: "Isso é empobrecer para a inflação, não tem qualquer retorno", tal como as obrigações, onde considera que "existe a verdadeira bolha".

A comprovar a certeza e eficácia da estratégia seguida pela gestora de patrimónios, Emília Vieira argumenta com números: "A rentabilidade acumulada desde a fundação é de cerca de 130%, e a rentabilidade anualizada é de 8,43%."
Apesar da pandemia, março de 2020 foi "o melhor mês de sempre em termos de reforços das contas pelos clientes". No final do ano passado, "os ativos sob gestão totalizavam 133,6 milhões de euros mas, neste momento, são já 150 milhões". Além disso, em 2020, a empresa reforçou o capital para dois milhões de euros.

Para futuro, Emília Vieira está confiante com o novo produto, do qual é a cliente número 1, o Casa Global Value PPR. Apesar de só começar a ser comercializado online nos próximos dias, a fase de arranque já se iniciou em outubro, para testar a operacionalização. Foi o tempo suficiente para contar com a adesão de 350 clientes e uma rentabilidade de 28,3%, além de já ter acumulado "10 milhões de euros em ativos sob gestão, com um valor médio de 30 mil euros por conta". O acesso à classe founders está limitado a mil participantes e decorre até ao próximo dia 18 de abril.

Segundo a empresária, o cliente pode fazer reforços mensais a partir de 100 euros, mas o "horizonte temporal de investimento é de, pelo menos, cinco anos". Pode ser movimentado em qualquer momento, embora sujeito a tributação, que vai regredindo com o tempo.

Emília Vieira acredita que "a riqueza é o que permite uma pessoa aspirar a viver melhor " e que permite a "verdadeira independência financeira".

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Desde a sua criação que a Casa de Investimentos não esconde as suas influências. A filosofia de investimento, claramente ancorada na escola do value investing de Buffett e afins, reflete-se no processo de seleção de títulos, composição de carteiras e postura face aos eventos de mercado, mas também na forma de comunicar com os seus clientes. O recém-publicado Relatório e Contas de 2019 em muito se assemelha às famosas cartas anuais do “Oráculo do Omaha”, tanto em forma como em conteúdo.

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